No começo do século XX, vários autores, especialmente os de inspiração marxista, constataram mudanças históricas fundamentais no capitalismo, que havia passado para um estágio monopolista, de grande concentração industrial e integração com os bancos. No caso dos marxistas, estas mudanças adquiriam uma importância adicional, pois implicavam novas posições na luta revolucionária contra um sistema ainda mais forte. Lukács, que elaborava então uma reconstituição do pensamento de Marx a partir do conceito de fetichismo, percebeu que este poder do capital também se tornara mais forte com as mudanças ocorridas. Como seria então possível desenvolver-se a consciência de classe revolucionária, se a ela se oporiam os mecanismos de um fetichismo assim fortalecido? Esta questão, central na História e Consciência de Classe, repercute hoje ainda com mais intensidade, diante dos novos instrumentos do fetichismo e, por outro lado, da crise profunda em que nos encontramos e que talvez esteja apenas no início. Trata-se, também nestes nossos tempos, de avaliar se a própria crise não poderia servir para destruir as ilusões neoliberais sobre a capacidade do capitalismo proporcionar uma sociedade desenvolvida e igualitária, ou seja, se uma crise pode contribuir para a desmistificação crítica do fetichismo. Num sentido muito próximo do de Lukács, a presente comunicação pretende enfocar o problema retomando alguns textos estratégicos de Marx.